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| Navio sendo rebocado para Santarém (PA). |
Um navio que deixou marcas dolorosas na vida de pelo menos 39 famílias e que não se apagará tão cedo da lembrança daqueles que tanto estiveram envolvidos no resgate desse naufrágio, como também para aqueles que acompanharam durante 40 longos dias aqueles momentos de expectativas e lamentos.
Na manhã desta quinta-feira (09), o navio Anna Karoline III seguiu para seu destino que tanto pleiteava desde o último dia 28 de fevereiro, quando deixou o porto da cidade de Santana (AP), levando dezenas de passageiros e uma quantidade incalculável de mercadorias que seriam entregues em comunidades ribeirinhas e municípios que estavam escalados durante o trajeto de 36 horas ao seu ponto final: que era a cidade de Santarém (PA).
Ainda é bem recente para muitos, o que vivenciaram de bom naquela tarde de 28 de fevereiro deste ano de 2020 (uma sexta-feira), numa despedida que parecia ser um sinal de que muitos nunca mais iriam ver aqueles entes queridos, que partiriam numa viagem sem volta – pelo menos sem vidas.
“Se soubesse que ali eu viria meu filho pela última vez, não teria largado ele dos meus braços quando me despedia”, lamenta a aposentada Germina de Souza, de 68 anos, que perdeu o filho nesse desastre.
No último abraço dado pela mãe, no porto de Santana, no Amapá, ficou apenas a promessa de que voltariam a ser reencontrar em breve. “Só ficou seu sorriso como adeus”.
Apesar do sofrimento sentido pela perda de um parente, quem conseguiu se salvar guarda na lembrança os momentos de pânico vividos naquela madrugada de 29 de fevereiro, como é o caso do mecânico Marcos Amaral que pretendia chegar até Santarém (PA) para visitar sua mãe.
Acompanhado da irmã, apenas o mecânico sobreviveu.
“Pensei que não iria sobreviver, mas Deus me deu uma segunda chance”, disse Amaral, que não mais encontrou sua irmã Ana, sendo ela um dos passageiros do naufrágio do Anna Karoline III que não foi localizada até hoje.
Ao comentar sobre a retirada do navio do fundo do rio, o mecânico não exitou em prever sobre o futuro da embarcação.
“Esse navio logo-logo voltará a navegar. Irão reformar ele, e trocar de nome. Guarde o que eu digo”, falou o mecânico.
A operação de resgate do navio durou, ao todo, 40 dias, envolvendo mais de 80 profissionais do Corpo de Bombeiros do Amapá, da Marinha do Brasil e das prefeituras de Santana (AP), Macapá (AP), Almeirim (PA), Santarém (PA) e Gurupá (PA).
A Capitania dos Portos informou esta semana o saldo final da operação do naufrágio do navio Anna Karoline III, resultando em 51 sobreviventes, 39 pessoas mortas e 05 desaparecidos.
No total de 95 pessoas a bordo do navio.




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