“Meu mundo acabou”, desabafa pai de Anna Paula, durante ato pedindo justiça em Santana

Na tarde desta segunda-feira, 16, a Praça Cívica de Santana foi palco de um ato público, cobrando por justiça, pela morte da jovem estudante Anna Paula Viana, de 19 anos, ocorrido no último dia 9 de março, enquanto trabalha em uma loja de roupas, localizada no Centro da cidade. 

Na ocasião do ato, diversas mulheres vestiam roupas e acessórios de cor rosa, para demonstrar sua luta e indignação pelo momento, na qual muitas classificam o crime como um ‘feminicídio extremo’. 

“Uma covardia sem tamanho. Uma jovem que tinha tudo pela frente: uma vida, uma carreira e muitos sonhos que vimos que foram interrompidos por um criminoso que nem deveria está solto”, disse Amélia Santos, de 38 anos, parente de uma vítima de feminicídio em Santana.

Além de Amélia, parentes de outras vítimas de crimes semelhantes estiveram neste ato na Praça Cívica, buscando dar total apoio neste momento de dor coletiva que Santana sentiu.

Entre essas pessoas que ainda sentem a dor dessa perda está Paulo Rodrigues, de 46 anos, genitor da estudante, que acompanhou o ato, juntamente com parentes e o namorado da filha Marco Castro. 

“Vi ali que meu mundo acabou quando soube de sua morte. Não está sendo nem um pouco fácil lhe dar com essa ausência diária. Era eu que deixava e buscava ela no trabalho todo dia, e hoje tento controlar uma dor que só aumenta”, desabafou o pai da estudante. 

Para Paulo, a morte de sua filha deixa um exemplo de lutas que devem ser feitas e mantidas em prol da proteção ao sexo feminino e no combate a violência contra a mulher. 

“Ela sempre será um nome forte por quer vamos, e sei que a justiça será feita no momento certo, tudo pela vontade de Deus”, crê o pai da jovem. 

O crime 
Anna Paula Rodrigues Viana, de 19 anos, foi morta na tarde do último dia 9 de março dentro de uma loja de roupas onde trabalhava como vendedora. 

O crime foi cometido pelo apenado Cláudio Pacheco, de 41 anos (conhecido como ‘Coringa’) que já havia sido condenado por outro homicídio em 2018, e nessa ocasião havia entrado na loja onde estava Anna Paula, levando-a para dentro de um depósito onde tirou sua vida engasgando-a, depois se evadindo do local com o celular da vítima. 

Após tomarem conhecimento da situação, as forças de segurança do Estado conseguiram capturar o criminoso seis horas após o fato, na qual já tinha trocado o aparelho celular da vítima por seis pedras de crack e tentava eliminar todos os objetos usados durante o crime (como a roupa e a bicicleta que usou na fuga). 

O fato chocou todo o Estado do Amapá, não apenas pelo fato de envolver a vida de uma jovem univesitária com futuro promissor, mas também por detalhes envolvendo o acusado que estava na lista de foragidos da justiça há mais de seis meses.

O acusado passou por audiência de custódia, tendo sua prisão convertida em preventiva, na qual já encontra-se no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen-AP). O crime é tratado como feminicídio.

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