Neste domingo (1º de novembro), o Amapá perdeu um grande nome ligado à construção da chamada ‘Era do Manganês’ que o Estado vivenciou entre as décadas de 1940 até meados da década de 1990.
Faleceu o engenheiro aposentado José Ortiz Virgulino, aos 90 anos de idade, devido complicações renais. Drº Ortiz (como era conhecido por muitos) foi o último superintendente da mineradora ICOMI, que no Amapá atuou na exploração e exportação do minério de manganês entre 1957 e 1997, em jazidas que estavam na região do atual município de Serra do Navio.
Sua participação dentro da história da mineração registra sua opinião sobre o legado deixado pela mineradora ICOMI na região desde os primeiros anos do então Território Federal do Amapá (ainda em meados da década de 1940) até o seu desmonte no final do século passado.
Militar paraense que seguiu para o Amapá
Nascido na capital paraense em 26 de março de 1963, Ortiz Virgulino é o 4º filho entre seis irmãos. Seu pai (José Oscar de Mendonça) desenvolvia atividades comerciais e políticas nos municípios situados à margem do Rio Tocantins, em especial Cametá, Macajuba e Marabá, tendo sido prefeito eleito nos dois últimos. Foi ainda deputado estadual por duas legislaturas.
Fez curso primário, secundário e científico no Colégio Nossa Senhora de Nazaré, em Belém (PA), onde foi interno durante quatro anos.
Cursou o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), destacando-se como atirador de elite. Serviu como oficial no 26º Batalhão de Caçasdores sediado em Belém durante dois anos.
Cursou a Escola de Engenharia do Pará, concluindo o curso de Engenharia Civil em Dezembro de 1962.
Ingressou na Indústria e Comércio de Minérios S/A (ICOMI) no início de 1963, lotado como engenheiro da Estrada de Ferro. Os anos de 1963 e 1964, foram de intenso trabalho na ferrovia em fase de acabamento, usando os sábados e domingos para aproveitar a disponibilidade da via.
Foram tempos de muita de atividade, crescimento e afirmação pessoal. Teve o privilégio de aprender com profissionais do mais alto gabarito técnico, como Ralph Medélin e Janos Miklos, aos quais veio a substituí-los, o primeiro na linha americana e o segundo na metodologia européia.
Os desafios eram enormes, a estrada tinha que responder a necessidade do transporte. Circulavam na época, diariamente três trens com 30 vagões de minério, além dos trens regulares de transporte de passageiros.
Foi indicado pela empresa para fazer o curso de Engenharia Ferroviária na Escola de Engenharia do Rio de Janeiro. Em dez anos, galgou todos os postos de chefia na Estrada de Ferro do Amapá.
Promovido a subgerente, desenvolveu essa função em Santana e Serra do Navio. Transferido para a diretoria no Rio de Janeiro, sempre no Grupo CAEMI, prestou serviços no Terminal Marítimo de Sepetiba, da empresa MBR e posteriormente no Projeto Jarí durante sete anos como gerente de administração.
Retornando ao Amapá em 1993, por opção, ainda no Grupo CAEMI, passou a colaborar na diretoria do Instituto Regional de Desenvolvimento do Amapá (IRDA), onde permaneceu até 1999.
Drº Ortiz, como sempre foi conhecido na Empresa ICOMI e no restante do Grupo CAEMI, considerava que a passagem pela Estrada de Ferro lhe trazia tempos de grandes alegrias.
Rememorava com saudade e respeito a dedicação dos companheiros de todos os níveis e ressaltava com orgulho que durante os seus dez anos de estrada de ferro, não ocorreu nenhum acidente ou descarrilhamento de trem.
Na folga era um fã desportista
Esportista desde a juventude, tinha afinidade com voleibol e com os famosos ‘rachas’ de arena do CCH da Vila Amazonas. Tinha grande afeição pelo esporte desde os tempos de colégio e universidade, sempre fazendo parte do time principal.
Foi praticante de remo, participando de inúmeras regatas da baía de Guajará, representando o Paisandu Esporte Clube.
Na ICOMI, se engajou e ajudou na fundação do Manganês Esporte Clube, na Serra do Navio, que na época dispunha do melhor gramado do Norte do país.
Em Santana, além de participar com o Dr. Corintho Silva nas atividades do Santana Clube, ajudou os pioneiros Odon Morales e Cláudio Lúcio Monteiro nos primeiros anos do Independente Esporte Clube (o ‘Carcará’ na Vila Maia).
Participou da fundação do Clube de Caça e Pesca Amazonas (CCPA), que ficava em Santana, mas foi extinto no final da década de 1970.
Casado, Drº Ortiz deixa quatro filhos, sendo três mulheres (Laura, Carmem e Cláudia) e um filho legítimo da Serra do Navio (José Oscar).
Aposentado desde 2002, residia há mais de seis décadas na Vila Amazonas, na Rua D-26 (Staff), onde escolheu para morar até seus últimos dias de vida.







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