Reforma do BT: Comunidade cobra urgência no início das aulas na Escola Estadual Professor José Barroso Tostes
A comunidade da Escola Estadual Professor José Barroso Tostes, em Santana, vive um momento de apreensão e cobrança. A reforma da unidade, iniciada em outubro de 2025, deveria ser concluída em abril de 2026, conforme consta na placa de identificação da obra instalada no local.
No entanto, a demora no andamento dos serviços e a falta de previsibilidade para o retorno das atividades têm gerado preocupação entre pais, responsáveis e alunos.
Desde o início da obra, a escola permanece fechada para a realização de melhorias estruturais.
A expectativa inicial era de que, com a reforma, estudantes e profissionais da educação voltassem a contar com um espaço mais seguro e adequado para o processo de ensino e aprendizagem. Porém, com o passar dos meses, o ritmo da obra passou a ser questionado pela comunidade.
“Sabemos que a obra é importante para melhorar a estrutura da escola, mas pela falta de agilidade do governo acabou gerando impactos negativos diretos no nosso calendário e na organização das aulas. Como estamos em um ano decisivo, em que muitos alunos irão prestar o ENEM e outros vestibulares, qualquer atraso ou desorganização no ano letivo acaba prejudicando a nossa preparação”, explica o estudante Gustavo, matriculado na 3ª série.
“A escola tem um papel fundamental na construção da base de conhecimento dos alunos. Embora muitos de nós também estudemos em casa, grande parte do conteúdo e da orientação necessária para enfrentarmos provas como o ENEM depende do acompanhamento das aulas, da rotina escolar e do apoio dos professores. Com as mudanças causadas pela reforma, sentimos que houve atraso do ensino e dificuldades na continuidade do aprendizado”, continuou.
“Outro ponto que preocupa é a falta de transparência sobre como essas questões serão resolvidas. Muitos alunos ainda têm dúvidas sobre como ficará a reposição dos conteúdos, a organização das aulas e de que forma a escola pretende garantir que o atraso não prejudique nossa preparação para o Exame deste ano”, acrescentou o aluno.
“Não somos contra a reforma da Escola, pois sabemos que melhorias na sua estrutura são necessárias, no entanto, acreditamos que é essencial haver mais transparência e planejamento para que os estudantes, especialmente os da 3º série, não sejam prejudicados em um momento tão importante da vida escolar”, entende o estudante.
Falta de segurança patrimonial na escola
Outro fator que tem agravado a situação é a ocorrência de furtos nas dependências da escola durante o período da reforma.
O caso mais preocupante ocorreu em janeiro deste ano, quando criminosos furtaram toda rede de distribuição elétrica, recentemente instalada no prédio.
O episódio representa não apenas um prejuízo financeiro significativo, mas também mais um obstáculo para a conclusão da obra e para a retomada imediata das aulas.
A comunidade escolar afirma que a ausência de vigilância no local tem contribuído para que o prédio se torne alvo frequente de criminosos. A preocupação cresce à medida que o patrimônio público, que deveria estar sendo preparado para atender estudantes, acaba sendo deteriorado antes mesmo de ser entregue à comunidade.
Em artigo clássico publicado em 1982 na revista The Atlantic, Wilson Kelling explicou que ‘uma janela quebrada em um prédio, quando não reparada, transmite a mensagem de que ninguém se importa com aquele espaço, o que aumenta a probabilidade de novos atos de vandalismo e criminalidade’.
Essa teoria, aplicada à realidade da Escola Barroso Tostes, ajuda a compreender como a falta de atividades e de presença constante no local pode favorecer a repetição de furtos.
A ausência de movimentação e de vigilância cotidiana transforma o prédio em um ponto vulnerável dentro da comunidade.
Mobilização
Diante desse cenário, pais, estudantes e lideranças comunitárias começam a se mobilizar para cobrar providências das autoridades responsáveis.
A comunidade pede mais transparência sobre o andamento da obra, reforço na segurança do espaço e, principalmente, celeridade na conclusão da reforma para que as aulas possam ter início.
“Espero que haja uma solução o quanto antes, não podemos esperar quando bem querem”, disse Ana Fernandes, mãe de aluno da escola.
A educação não pode esperar. Cada dia de atraso representa prejuízo direto para centenas de estudantes que dependem da escola pública para garantir seu direito ao aprendizado.
“Eles ficam prejudicados, não só eles, mas nós também, porque a gente fica preocupado com os nossos filhos com o ensino deles. Aí vai para o ENEM, o que aprendeu no Ensino Médio? A gente fica preocupado e a gente quer uma resposta do Governo”, questionou Luiz Otávio, pai de aluno.
Por isso, a mobilização da comunidade é fundamental. O acompanhamento das obras, a cobrança junto aos órgãos responsáveis e a união da população são caminhos essenciais para garantir que a reforma seja concluída dentro do prazo previsto e que a Escola Estadual Professor José Barroso Tostes volte a cumprir seu papel educacional e social.
A comunidade escolar precisa se fazer ouvir. A escola é patrimônio de todos, e a educação é um direito que não pode ser adiado.
Tentamos contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação (Seed), para buscar mais esclarecimentos sobre a situação da obra na escola, mas não obtivemos êxito.
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