Enquanto parte do país ainda discute se o Arco Norte é futuro ou aposta arriscada, a indústria da soja brasileira já decidiu passar por Santana, no Amapá.
E está passando em grandes volumes de cargas, os quais se tornam cada vez mais crescentes e regulares. Quem insiste em tratar o Porto de Santana como alternativa logística está, simplesmente, olhando pelo retrovisor.
Crescimentos acima de 60% em um único ano não são ruído estatístico, mas mensagem de mercado. A soja não se move por discurso político, nem por regionalismo. Se move por custo, tempo e previsibilidade. Se a indústria da soja está migrando para o Amapá, é porque a conta fechando melhor do que em rotas tradicionais.
O que acontece hoje em Santana é o que já aconteceu em outros momentos da história logística brasileira: um eixo se desloca, enquanto muitos continuam presos à geografia antiga. Portos saturados no Sudeste, filas, custos crescentes e ineficiências conhecidas empurram a commodity para onde há fluidez. O Arco Norte deixou de ser promessa quando começou a entregar volume com regularidade.
Há um detalhe que incomoda quem prefere minimizar o fenômeno: o crescimento não é pontual, é contínuo. Quando a soja cresce semestre a semestre, mês a mês, ela deixa de ser operação oportunista e passa a integrar o planejamento das tradings. Isso significa contratos, investimentos, silos, navios programados e decisões de longo prazo.
E aqui está o ponto mais sensível: o Amapá não está apenas “ajudando” o agro brasileiro. Está reposicionando o mapa logístico do país, e Santana começa a ocupar um espaço que, por décadas, foi concentrado em poucos portos. Isso gera reação, silêncio estratégico e até resistência. Mas não muda os fatos.
Crescimento acelerado representa uma alta superior a 60% na movimentação total de soja em 2025 na comparação com 2024., apresentando um volume de 553 mil toneladas de soja em grãos, com crescimento acima de 66% em relação ao ano anterior.
A regularidade operacional também é um fator importante desse crescimento, pois no 1º semestre, a movimentação passou de cerca de 332 mil toneladas, em 2024 para 470 mil toneladas, em 2025. Esse crescimento semestral de aproximadamente 41%, indicando estabilidade e previsibilidade logística.
Dados da ANTAQ, divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, mostram salto da movimentação portuária do Amapá de 131 mil para 229 mil toneladas em um único mês, considerando maio de 2024 e maio de 2025.
A soja aparece como principal vetor desse avanço, atraída pela importância estratégica do Porto de Santana, possibilitando a redução de distâncias até Europa e Ásia e uma menor dependência dos portos do Sudeste e Sul, garantindo a inserção definitiva do Amapá na rota do agronegócio exportador.
A pergunta que se impõe não é se o Porto de Santana vai crescer. Os números já responderam. A pergunta real é: o Brasil vai acompanhar esse movimento com infraestrutura, governança e visão estratégica, ou vai deixar o porto crescer apesar do Estado brasileiro?
Os sinais são positivos diante da ampliação dos dois piers existentes no Porto de Santana. O píer 1, será ampliado pela empresa Rocha Granéis, vencedora do leilão da área MCP03, passando de 200m para 230m. O pier 2, incluso em licitação de área no porto, marcada para 26 de fevereiro, passará de 150m para 210m. Além disso, o pier 3 está em fase de elaboração de projeto, através da Codevasf, que foi contratada pelo Ministério dos Portos, e tem previsão de mais 250m para embarque e desembarque de cargas.
Outros sinais positivos de estruturação do Porto de Santana é a instalação de um novo carregador de navios (shiploader), e do sistema VTMIS, usado para o monitoramento e gestão de tráfego de embarcações em áreas portuárias e vias navegáveis.
Tudo isso mostra que indústria da soja já fez sua escolha. Navegar pelo Arco Norte rumo ao Amapá para chegar ao resto do mundo.
*Artigo de autoria do jornalista Juan Monteiro, postado no site do Agro.
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