Pesquisa na Ilha de Santana resgata conhecimento popular sobre o clima

Os povos que vivem na região Amazônica detém conhecimento popular que utilizam em diversas áreas do seu cotidiano. 

Um deles, o conhecimento sobre a climatologia, usado para saber quando irá chover e quando fará sol, chamou a atenção do meteorologista do Instituto de Pesquisas e Tecnologias do Estado do Amapá (Iepa) Jeferson Vilhena, e acabou virando tema de pesquisa de seu doutorado. 

A pesquisa intitulada “Etnoconhecimento dos fenômenos meteorológicos na Ilha de Santana”, iniciou em 2015 e reuniu moradores da ilha que detinham esse conhecimento, que foi registrado por meio de entrevistas. 

O pesquisador explica que, além do incentivo à pesquisa dentro do Iepa, a falta de um registro dessas populações com relação ao conhecimento meteorológico foi um ponto motivador para a realização do estudo. 

“Minha intenção foi encontrar esses conhecimentos, esses ditos, relacionar com a ciência e fazer com que possa ajudar a população na agricultura, na pecuária, como também os cientistas”, destacou Jeferson. 

O critério de escolha do local para pesquisa levou em consideração a proximidade com a estação meteorológica de Macapá, criada na década de 20, localizada no distrito de Fazendinha. 

Durante a pesquisa, alguns ditos populares – como a relação de aves com o tempo e sua influência sobre o clima – acabaram ganhando destaque, bem como outros nem tanto conhecidos pela população. 

Resgate de conhecimento
O pesquisador destaca com preocupação a continuidade desse conhecimento. 

“Um de meus entrevistados faleceu semana passada. Tive a oportunidade de conversar com ele e registrar um pouco do conhecimento que ele lembrava. Quando cheguei a perguntar aos filhos e netos dele, eles não sabiam de nada”, destacou. 

O professor doutor Raullyan Silva, que orientou a pesquisa de Jeferson Vilhena, destacou a importância do estudo feito por seu orientando. 

“Percebemos que a nova geração não busca se interessar por este tipo de conhecimento. Isso é preocupante porque quem detém isso está morrendo e levando consigo estes ensinamentos. Queremos chamar a atenção dos jovens para o resgate deste saber popular”, completou.

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