Desabamento do porto da Anglo completa quatro anos

Tudo transcorria normalmente na área de embarque de minérios empresa-mineradora Anglo Ferrous em Santana, naquela virada de noite entre os dias 27 e 28 de março de 2013.

Segundo o relatório produzido pela empresa ao Ministério Público do Amapá (MP/AP), haviam cerca de 20 pessoas trabalhando nas áreas técnicas e operacionais, entre motoristas e operadores de guindaste.

De forma inesperada, um intenso barulho soou sob as águas do Rio Amazonas, jogando diversas embarcações (de pequeno e médio porte) a longas distâncias do cais frontal da cidade.

Na área interna da mineradora, caminhões, guindastes e mais de 200 mil toneladas de minério foram arrastado para dentro do Rio Amazonas.

Não houve vítimas fatais do lado de fora da mineradora, mas as vidas que foram ceifadas dentro dela jamais foram esquecidas.

Nomes como Pedro Coelho Ribeiro, Benedito Cláudio Lopes, Manoel Moraes de Araújo, Josmar Oliveira Abreu, Eglysson Nazário dos Santos e Maicon Clay Carvalho foram ditos constantemente pela imprensa local e nacional, pedindo punição à mineradora.

As buscas duraram pouco mais de dois meses (e mais dois dias), com outros cinco meses de investigações e várias perícias. Conclusão: as causas oficiais nunca foram divulgadas, mas vem sendo até hoje cogitada a tese física do excesso de peso em torno da área que desabou.

No final do mesmo ano, a Anglo repassou comercialmente a área acidentada para a Zamin Mineração que prometeu mudar a imagem negativa deixada pela antecessora. Puro engano.

A Zamin não cumpriu metade das promessas técnicas apresentadas ao então governador do Amapá Camilo Capiberibe, e saiu do Estado deixando mais de 400 pais de família com salários atrasados e um patrimônio sucateado.

E o que resta hoje? Apenas uma extensa área, abandonada, cheia de prédios sujos e saqueados, que registrou a sua pior fase no setor de exploração e exportação mineral na história do Estado.

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