Após 15 anos, sobrevivente do “Cidade de Óbidos I” relata possível imprudência humana na viagem: “Muita desatenção!”

Barco colidiu com uma balsa, vindo a naufragar no Rio Jarí
Na madrugada de 26 de janeiro de 2002 ocorria o naufrágio do barco “Cidade de Óbidos I”, na região de Jarilândia, próximo ao município de Laranjal do Jarí, matando sete (07) passageiros. 

A embarcação havia deixado o Porto de Santana na tarde do dia anterior (25), com destino à região de Laranjal do Jarí, levando cerca de 180 pessoas, entre autoridades políticas e correligionários que participariam de uma programação política naquele município, localizado ao Sul do Estado do Amapá. 

Entre os passageiros estavam autoridades políticas
Segundo relatos de sobreviventes, por volta das 5hs da manhã do dia seguinte (26), a embarcação colidiu bruscamente com a Balsa Magalhães, que estava sendo guiada pelo empurrador Florezano Neto, abrindo um buraco de quase 2m do lado esquerdo do barco “Cidade de Óbidos I”, causando o rápido afundamento da embarcação. 

Durante o inquérito aberto pela Marinha do Brasil – através da Capitânia dos Portos do Amapá – não havia qualquer sinalização que identificasse a presença daquela balsa no local, o que pode ter contribuído inesperadamente para o trágico episódio. 

Morreram nesse naufrágio: Karina dos Santos Couri (18), Ana Cláudia Colares, Luan Richard Guiomar dos Santos (primo de Karina dos Santos Couri), de 12 anos; Alexandre Júnior Leite de 03 anos (filho de Ana Cláudia Colares); Arquimedes Afonso (segurança na Prefeitura de Santana), Vítor Santos (empresário), e Simone Teran (jornalista e esposa do então deputado estadual Manoel Brasil). 

Triste Lembrança
Um momento em sua vida que o professor José Antônio prefere não recordar, pelo tamanho do susto que quando foi acordado aos gritos por outros passageiros. 

Passageiros tiveram que pular nas águas
Hoje funcionário do quadro público do Estado, Antônio trabalhava na época no contrato administrativo da Prefeitura de Santana e integrava a comitiva do então prefeito de Santana Rosemiro Rocha (que também sobreviveu ao naufrágio), e contou com exclusividade ao blog sobre aquela marcante viagem. 

“A saída (do Porto de Santana) foi normal, sem qualquer problema, havia um número bem equilibrado de passageiros como determina a Capitania, tanto que houve pessoas que até desistiram de querer ir na comitiva, o que mais ainda aliviou o peso na embarcação para não dizerem que foi excesso de passageiros, que isso não foi”, contou Antônio. 

Durante o trajeto convencional pelos rios até o município de Laranjal do Jarí foi pacato, segundo Antônio, que descreveu a viagem – até então – sem qualquer anomalia. 

Sete pessoas ainda morreram nesse naufrágio
“A maioria dos passageiros lgo atou suas redes e deitaram ainda cedo (acho que não era nem oito da noite), até por que a noite tava bonita”, descreveu. 

O inesperado acontece
De acordo com Antônio, a colisão entre o barco “Cidade de Óbidos I” e a balsa Florezano Neto ocorreu por volta das 5hs da manhã, porém, já haviam algumas pessoas acordadas que observavam a movimentação sobre os rios. 

“Estava dormindo quando senti uma leve sensação de ter balançado o barco e começaram a gritar, daí já não dormi mais”, detalhou Antônio, que começou a ver diversas pessoas pulando de dentro do barco para cima de uma balsa que estava “colada” com a referida embarcação. “Quando vi aquela movimentação de estarem saindo do barco, fiz o mesmo e pulei pra balsa”. 

O professor conta que somente tomou melhor conhecimento da ousadia de ter pulado para dentro de uma balsa quando viu inúmeros passageiros do barco “Cidade Óbidos I” sentados e chorando pelo susto que tomaram. 

“Tava tão desacordado no momento da batida que só fiz pular para fora do barco e levei uns 15 minutos para me recobrar do sono que estava me dominando, mas graças a Deus que tudo saiu perfeito comigo”, disse Antônio. 

O resgate teria chegado somente no início da manhã do dia 27, com a vinda de várias embarcações de Santana e até do município de Monte Dourado, que logo tomaram conhecimento do fato. 

“Cheguei em Santana por volta da meia-noite do dia 27 (para o dia 28), onde ainda tive que ir para o Hospital de Santana verificar minha pressão e somente fui liberado pelo médico no outro dia”, disse. 

Na escuridão, Barco colidiu com esta balsa
Quando questionado sobre as possíveis causas de fato levado o barco “Cidade de Óbidos I” à pique, Antônio apontam diversos motivos que não ficam apenas na falta de sinalização que poderia identificar a balsa, como também a falta de iluminação noturna, e outros fatores. 

“Houve muita desatenção por parte dos responsáveis pela balsa, que estava apenas encostada, mas também houve uma grande parcela de culpa das pessoas que estavam na cabine de comando (do barco ‘Cidade de Óbidos’), que poderiam ter ligado os motores para avisar a presença de uma embarcação próxima da beira do rio”, queixou-se Antônio. 

Para o professor, a imprudência humana continua sendo um dos maiores motivos pelo qual a navegação na Amazônia vem se deixando levar. 

“Tem muito marinheiro e comandante de navio que se confia muito no tempo de experiência que possui, e acha que isso é o suficiente. Mas é essa autoconfiança que pode causar uma tragédia incalculável, por ser acharem responsáveis demais por uma viagem que nem sempre pode sair como planejaram”, concluiu o professor.

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