“Aqui todos precisam”, garante ocupante de área invadida em frente a Amcel

Mais de 70 famílias ocupam a área há mais de um mês
Quem passa diariamente pela Rua Cláudio Lúcio Monteiro, nas proximidades da garagem de ônibus da empresa Sião Thur, já deve ter observado que uma extensa área – situada bem em frente da fábrica de estocagem e produção de cavacos da Amcel – foi ocupada por dezenas de barracos de madeira. 

Erguido por diversas pessoas que alegam não terem condições de terem sua casa própria para cuidar de suas famílias, os ocupantes dessa área não tiveram outra alternativa, a não ser invadir uma área particular que consideravam sem qualquer utilidade pública. 

Ocupantes não pretendem deixar o local
“Tem tanta área em Santana que não está sendo utilizada pelos donos, mas também não fazem a mínima questão de deixarem que muitas famílias marquem seu pedacinho de chão”, questionou o autônomo Josias Peixoto, que também demarcou um lote na referida área invadida. 

Aos 42 anos e sem emprego, Josias vem sustentando a família (composta de mais três membros) através de pequenos serviços como auxiliar de carpinteiro e pedreiro, enquanto que sua esposa procura aumentar a renda doméstica com faxinas em residências domiciliares. 

Arruamento e energia elétrica já existem no local
“A situação já não está fácil nem para garantir a comida dentro de casa, imagina para ficar pagando aluguel”, comentou o autônomo, que recorreu ao ponto de invadir o lote em razão de ter chegado ao final do 2º mês de aluguel atrasado, sendo até mesmo intimidado pelo proprietário do kit-net onde estava alocado que seria despejado a qualquer momento. 

“Não tive outra escolha se não correr atrás de um espaço para minha família por que sabia que ele poderia me mandar embora a qualquer momento, foi quando passava aqui em frente e vi o pessoal levantando barracos e marquei logo a minha área”, contou. 

Há quase um mês no local, são mais de 70 famílias distribuídas em duas áreas distintas, sendo que na maior estão cerca de 50 famílias sem ter para onde irem. 

“Todos aqui precisam de um pedacinho de terra pra morar, ninguém aqui pretende vender ou se desfazer de seu pedacinho daqui com algum tempo, até por que é feito uma chamada diária de quem está presente e feito visitas periódicas nos lotes demarcados”, explicou Messias Oliveira, que vem ocupando um dos lotes. 

Infraestrutura
Apesar de ser uma área de domínio médio, já existem lotes demarcados de até 250m², onde ainda buscam condições de melhoramento social, porém, já utilizando de uma infraestrutura básica que foi realizada pelos próprios ocupantes. 

“Antes, essa área servia apenas como esconderijo de marginais e tocaia para roubos, depois que fizemos a roçagem da área, até a polícia já veio aqui e reconheceu que a criminalidade caiu por causa dessa ocupação”, relatou Messias. 

Com duas ruas que foram abertas pelos ocupantes, o fornecimento regular de energia elétrica ainda é inexistente para essas famílias, onde somente algumas moradias usam da energia clandestina como alternativa temporária, assim como o abastecimento de água, que ainda se mantém em planos futuros desses invasores. 

“Estamos buscando apoio com as autoridades do município que entendam o nosso lado, já que todos aqui precisam de um pedaço para morar”, questionou a doméstica Maria do Socorro Freitas, que ocupa um lote da área desde o início da ocupação, ocorrida no final do mês de setembro. 

Ainda segundo os invasores, uma das áreas invadidas é de propriedade de uma empresa de construção civil, com sede comercial em Macapá, que já esteve presente no local negociando a situação com os ocupantes. 

“Eles vieram na semana passada e viram as condições de algumas famílias no local, agora é esperar pela posição deles”, disse a doméstica, que ocupa a área com (esposo e dois filhos), enquanto aguardam por dias melhores sobre o local em questão.

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