“Sofri 14 assaltos”, diz ex-cobradora de ônibus

Imagem de assalto em ônibus em Macapá
Uma profissão que entrou na lista das 10 mais arriscadas e perigosas da atualidade, tem sido com certeza os de cobradores (ou trocadores) de transporte público, assim como também dos motoristas que desempenham suas vidas “por um fio” diante de diversos tipos de situações diárias, que vão do descontentamento e da impaciência de alguns usuários, ainda incluindo o trânsito estressante que vem se formando em nosso Estado. 

Segundo informações do Sindicato dos Rodoviários do Amapá, existem cerca de 120 profissionais rodoviários (entre motoristas e cobradores) que trabalham em quatro empresas de ônibus do Estado, mas estima-se que esse número seja maior. 

“Existem muitos motoristas e cobradores que não são sindicalizados, isso chega a quase 20 ou 30 que estão fora da entidade”, explicou o rodoviário Álvaro Moreira, que calcula que pelo menos 30% desse quantitativo – sendo ou não sindicalizado – já sofreu algum tipo de ação criminal diante da sua atividade. 

“Um de cada três motoristas (de ônibus) já foi assaltado ou sofreu uma tentativa de assalto durante seus trajetos, e isso tem deixado esses trabalhadores mais assustadores e com medo de continuar na profissão”, contou Álvaro, que chegou a acompanhar o registro de três assaltos a coletivos urbanos em uma semana. 

Motorista é retirado de dentro do ônibus, após ser
esfaqueado durante assalto em Macapá.
Segundo o rodoviário, os assaltantes (em sua maioria, elementos entre 17 e 25 anos) costumam agir quase sempre depois das 19hs e buscam um itinerário que esteja deixando os limites suburbanos da cidade. 

“Eles esperam o ônibus sair de dentro da cidade, indo para algum bairro distante dos outros, ou seguindo numa rodovia estadual para anunciar os assaltos, e só agem em grupo de dois ou três pessoas”, explicou Álvaro, que trabalhou em duas empresas de ônibus e sofreu dois assaltos durante seus sete anos como cobrador. “A gente fica de frente com a morte e não sabe o que fazer”. 

Vítima de 14 assaltos
Assim como Álvaro, a ex-cobradora de ônibus Francisca do Socorro já esteve à frente dessa profissão por quase 18 anos, onde atuou em empresas pioneiras no transporte público do Amapá, como a “Estrela de Ouro”, a “Cattani” e “União Macapá”. 

Francisca contou que os primeiros registros de assaltos em coletivos públicos no Amapá ocorreram em meados da década de 1980, e os casos eram esporádicos. 

“Se acontecesse um assalto hoje num ônibus, só haveria outro assalto daqui com seis meses ou um ano, era o tempo que as pessoas esqueciam que tinham acontecido o assalto”, relembra Francisca. 

Suspeitos contendo arma artesanal são retirados
de ônibus após denúncia anônima, em Santana.
De acordo com a ex-cobradora, somente a partir da década seguinte que os números foram se alarmando, com o crescimento da população, principalmente com a implantação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS), quando centenas de pessoas de outros Estados e regiões vieram para o Amapá, entre eles, pessoas de más influências. 

“Lembro que em 1993 houve cinco (05) assaltos na linha Macapá-Santana em três meses, e quando prenderam os bandidos descobriram que eles vieram do Estado do Maranhão e estavam há poucas semanas em Macapá”, conta Francisca, que acabou guardando inúmeras lembranças tristes dessa época. 

“Quando criaram a linha para atender o bairro Infraero I em 1998, os cobradores já diziam que iriam trabalhar pra lá, eu aceitei e acabei me arrependendo”, relatou Francisca, que ficou dois anos trabalhando na linha do bairro Infraero I e sofreu diversos assaltos e várias tentativas. “Fui 14 vezes assaltada, mas somente em 11 desses assaltos eles conseguiram levar o dinheiro, nas outras, eles perceberam que iriam falhar e fugiram”. 

Hoje com 53 anos, Francisca do Socorro deixou a profissão de cobradora de ônibus em 2003 quando foi rendida por dois assaltantes na linha urbana “Congós-Jardim” quando encerrava seu dia de trabalho, fato que a convenceu a entregar a atividade. 

“Me feriram duas vezes durante assaltos e isso causa um choque em qualquer pessoa”, diz hoje a ex-cobradora de ônibus, que vive atualmente da pensão de viúva, e mantêm um pequeno estabelecimento comercial no bairro Fonte Nova, onde comercializa material escolar e de festas. 

Registro recente
Na última segunda-feira (26/10), agentes da Polícia Militar de Santana conseguiram evitar que um assalto fosse realizado em um ônibus que efetua a linha intermunicipal Santana-Macapá. 

Segundo o 4º Batalhão da Polícia Militar de Santana, através de uma denúncia anônima, foram informados de que dois elementos haviam embarcado no coletivo com atitudes suspeitas, demonstrando ações que posteriormente seriam tomadas. 

Com a denúncia, o veículo pôde ser interceptado antes mesmo de sair dos limites do município, e após a abordagem da polícia, foi confirmado que os elementos portavam uma arma de fabricação artesanal (caseira), que possivelmente seria usada na tentativa de assalto que fariam ao veiculo quando deixassem os limites da cidade. 

Os elementos foram retirados do veículo e autuados em flagrantes, onde constou-se que um deles já era reincidente.

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