Trabalhadores prometem manifestação na Área Portuária de Santana

Após notificação sobre o perigo de desmoronamento do muro de arrimo da região utilizada para embarque e desembarque de mercadorias e passageiros na Área Portuária do município de Santana e a interdição imediata do local pela Defesa Civil do Estado, comerciantes, catraieiros, vendedores ambulantes e carregadores se concentraram na frente da Prefeitura para cobrar alternativas a fim evitar os prejuízos causados com o isolamento da área.

A Defesa Civil chegou a demarcar a área e intensificou o alerta sobre a saída dos trabalhadores do local, em função do risco de desmoronamento. O trabalho foi reforçado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, que fez a retirada das edificações localizadas as margens do porto. Mas comerciantes, embarcadiços e vendedores ambulantes insistem em permanecer no local.

Inconformados, os trabalhadores estiveram concentrados em frente à sede da Prefeitura Municipal, para cobrar do poder público uma solução que compense os prejuízos provocados pelo isolamento da área.

Segundo o comerciante, Hebert Mesquita, que atua a 22 anos na Área Portuária, a interdição do local, afetará diretamente na renda dos trabalhadores, que dependem dos ribeirinhos para movimentar as vendas. “Se fecharem a área, o fluxo de pessoas reduzirá consideravelmente, pois os ribeirinhos utilizam a rampa para ter acesso ao comércio local” reclamou Mesquita.

Já o catraieiro Francisco Paes, teme a impossibilidade de continuar o trabalho que a mais de 20 anos gera renda a sua família. “Trabalho com o transporte de passageiros e sustento minha esposa e meus filhos com o dinheiro que consigo nas viagens. A situação ficará complicada se eu não puder utilizar o porto” disse o trabalhador.

Uma das alternativas, segundo os trabalhadores, é a liberação da rampa em concreto, localizada na obra do Terminal Pesqueiro.

Na tentativa de conter as reivindicações, os secretários municipais de Administração, Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, receberam os trabalhadores no gabinete da Prefeitura e pediram cautela.

De acordo com o secretário Municipal de Governo, Josenildo Abrantes, a PMS está trabalhando na tentativa de amenizar a situação, mas é preciso que os trabalhadores atingidos compreendam que a solução demanda tempo e não depende exclusivamente do poder municipal.

Abrantes explicou que a Prefeitura está cumprindo uma determinação da Defesa Civil, mas que a Secretária Municipal de Obras está preparando um estudo sobre a região para viabilizar o deslocamento dos trabalhadores e embarcadiços sem que haja prejuízos, porém, será necessária compreensão.

Quanto a utilização da rampa em concreto, localizada na obra do Terminal Pesqueiro, o secretário Municipal de Meio Ambiente, Pedro Mauro Seabra, esclareceu que não será possível a liberação, já que a obra é federal e ainda não foi entregue.

Por se tratar de um órgão federal, os secretários proporão que os trabalhadores formalizassem um documento endereçado a Prefeitura, solicitando a liberação da rampa do Terminal do Pesqueiro, inclusive expondo a atual dos trabalhadores no que se refere aos prejuízos causados pela interdição da área. O documento será encaminhado ao órgão competente da União.

Sem conflitos, os trabalhadores ouviram as explicações, mas pediram rapidez na solução do problema.

Responsabilidade
De acordo com os trabalhadores, a correnteza de uma enxurrada provocada pelo acúmulo de água das chuvas no muro que divide as áreas do Terminal Pesqueiro e uma mineradora, foi crucial. A força da correnteza provocou o rompimento de parte do muro entre o Terminal Pesqueiro e a mineradora, e a enxurrada teria ocasionado o deslocamento do muro de arrimo.

Hoje (12), um grupo de trabalhadores afetados pelo problema, tentará reunir com representantes da mineradora em busca de uma solução. A medida vai propor que a empresa busque uma maneira de escoar a água que acumula no terreno da mesma.

Por Andreza Sanches (Jornal do Dia)

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