O assustador incêndio do Barco “Veloso” completa 45 anos

Incêndio ainda na madrugada
Quem tem mais de 40 anos já deve ter ouvido falar da tragédia do Barco Veloso, um trágico incêndio que ocorreu em frente ao Porto de Santana e culminou na morte de 18 pessoas. Somente de uma única família foram 06 membros. 

Foi nas primeiras horas da madrugada daquele dia 10 de fevereiro de 1972, que o Porto de Santana foi tomado de pânico causado por um forte incêndio, irrompendo sobre as águas do Rio Amazonas e cobrindo de fogo algumas embarcações que ali estavam aportadas. 

O incêndio foi provocado pelo escapamento de gasolina de uma balsa que fazia um desembarque de madeira, na qual espalhou-se pelas imediações de todo o rio. 

Em outra versão, há quem diga que esse incêndio tenha surgido por imprudência de funcionários da Companhia Texaco. 

Detalhes
No descuido de uma pessoa, nunca identificada que, ao atirar um fósforo aceso no rio, provocou o incêndio, surgindo, de imediato, um grande lençol de chamas que cobriria todo o rio. 

Frente da cidade de Santana na década de 1970
Essas fortes chamas atingiram navios e algumas embarcações ribeirinhas, entre elas, estava o Barco Veloso, que casualmente estava em frente ao Porto de Santana, carregando madeira e gás liquefeito, vindo a destruí-la completamente. 

No entanto, uma pronta providência evitou que o incêndio provocasse uma situação mais dolorosa. Pois se encontravam, aportados em Santana, além de um petroleiro conduzindo combustível para Macapá, também encontrava-se o navio Veransur, da Companhia de Navegação Mansur, carregado com 43 toneladas de dinamite. 

Haviam também no local, o rebocador Alamo, o navio Aldebaran, este carregando minério de manganês, e o graneleiro Woensdrecht, de bandeira holandesa, que recebia carregamento de compensados da Bruynzeel Madeiras S/A (Brumasa). Os dois últimos navios sofreram apenas danos em suas estruturas metálicas. 

Vítimas
Além dos pequenos danos deixados nas embarcações aportadas em Santana, o sinistro incêndio ainda contabilizou mais onze (11) vítimas fatais. Da primeira embarcação atingida pelo incêndio – o Barco “Veloso” – morreram seu proprietário Flávio Alves Bechire, sua esposa Antônia Bechire, e seus quatro filhos (com idades entre 14 e 18 anos), além do restante da tripulação, formada por seis pessoas. 

Repercussão sobre o incêndio em Santana
Destroços do “Veloso” chegaram a ser encontrados a 3km de distancia do local onde começou as explosões. 

Do Navio “Veransur”, seu contra-mestre Erles Pedrada morreu parcialmente carbonizado, quando tentava afastar o navio do local dos incêndios, tanto que se jogou nas águas do Rio Amazonas para tentar apagar o fogo que lhe consumia, mas em vão. 

O “Veransur”, que também estava nessa linha de frente para ser atingido pelo fogo coletivo, conseguiu ser evitado pela ação imediata de outro funcionário do Navio que manobrou o mesmo, para afasta-lo a tempo das outras embarcações. 

Dois (02) funcionários da ICOMI também morreram na ocasião (ambos carbonizados) por estarem na área do píer flutuante da mineradora, quando foram atingidos de surpresa pelas labaredas de fogo. Identificados pelos nomes de Edilson José Prado Ribeiro e Josias Monteiro da Silva, ambos eram lotados na função de conferentes de carga da ICOMI. 

Até pescadores que passavam de forma ocasional pelas proximidades em suas pequenas embarcações não foram poupados pelas explosões, sendo que três (03) ribeirinhos foram fatalmente atingidos por destroços e labaredas de fogo, morrendo de forma instantânea.

Inquérito
As autoridades policiais do (então) Território Federal do Amapá, logo que tomaram conhecimento do acidente, estiveram presentes no local, tendo comandado as ações para debelar as chamas, o próprio Chefe de Polícia de Santana, Comandante Luiz Gonzaga Valle. 

Jornal "Correio da Manhã" (RJ), de 12/02/1972
Na época, Gonzaga escutou o depoimento minucioso de mais de 50 pessoas, entre ribeirinhos que presenciaram o fato e funcionários da ICOMI que ajudaram nas buscas, podendo assim montar um inquérito com mais 700 páginas que fora enviado para julgamento no Tribunal Marítimo, no Rio de Janeiro (RJ). 

Ao final – segundo o Inquérito Marítimo nº 6.803, julgado em agosto de 1975 – entendeu pelo Júri que os responsáveis pela “acidente” foram o comandante do Rebocador Alamo e o administrador do depósito da Texaco Brasil S/A em Porto de Santana (tendo os nomes mantidos em sigilo processual) por terem cometido o crime de imprudência e atos negligentes. 

“(...) por ser o acidente decorrente na inobservância das condições de segurança na operação de descarga de combustível, o que ocasionou considerável vazamento e, via de consequência, o incêndio”, descreveu um trecho da sentença. 

Por serem réus primários, os condenados apenas receberam a aplicação de multas referente à pagamentos de cinco (05) salários mínimos cada.

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