Há mais de seis anos, a professora e ativista Elissandra Lopes defende a criação de um Horto Municipal em Santana. Ao longo desse período, a proposta deixou de ser apenas uma reivindicação e passou a ganhar forma por meio de experiências desenvolvidas nas escolas, com projetos de sustentabilidade, cultivo e educação ambiental realizados em parceria com seus alunos.
As hortas escolares foram algumas dessas experiências. Nelas, os estudantes acompanharam de perto diferentes etapas do cultivo, desde a preparação dos espaços e o plantio até os cuidados necessários para o desenvolvimento das plantas.
Das escolas para um projeto municipal
A experiência acumulada contribuiu para ampliar e dar forma à proposta do Horto. A ideia é que o espaço reúna diferentes atividades, como produção de mudas, arborização, educação ambiental, cultivo de espécies de interesse e ações que aproximem escolas e comunidade.
Outra possibilidade prevista é que o Horto contribua para a formação de cadeias produtivas de fitoterápicos, aproximando o cultivo de plantas medicinais de iniciativas de pesquisa, formação, produção e geração de renda.
Essa perspectiva amplia a função do espaço. Além de apoiar a arborização e desenvolver atividades educativas, o Horto poderá se tornar um ponto de partida para iniciativas voltadas à valorização de espécies medicinais e à disseminação de conhecimentos relacionados ao seu cultivo e uso, respeitando os critérios técnicos e sanitários necessários à produção de fitoterápicos.
Seis anos de mobilização
A defesa pela criação do Horto atravessou diferentes momentos e mobilizou a comunidade ao longo de seis anos. Nesse período, foram reunidas mais de 6 mil assinaturas de pessoas que apoiam essa política pública ambiental.
Santana amanheceu coberta de faixas anunciando que “Santana terá seu Horto Municipal”.
A iniciativa marca um novo momento da proposta e, ao mesmo tempo, retoma uma forma de comunicação utilizada pela professora ao longo dos últimos anos para manter a comunidade informada e mobilizada em torno da criação do espaço.
Mais do que anunciar uma conquista, as faixas simbolizam o resultado de anos de mobilização e diálogo com a população.
Um espaço com várias funções
Um Horto Municipal pode cumprir funções que vão muito além do cultivo de plantas. O espaço poderá produzir mudas para a arborização, apoiar ações ambientais, receber atividades educativas e aproximar estudantes e comunidade do conhecimento sobre a biodiversidade.
Tudo foi acompanhado, ao longo dos anos, por ações concretas de cultivo e educação ambiental. Com o Horto, essas experiências passam a fazer parte de uma proposta que poderá reunir educação, meio ambiente, arborização, produção vegetal e desenvolvimento de cadeias produtivas.
Blog – Professora, depois de todo esse tempo, o que representa a criação do Horto e qual é a importância desse espaço para o município?
Elissandra Lopes – “O Horto Florestal e Medicinal de Santana representa a concretização de um projeto que pode transformar a nossa riqueza natural em uma política pública permanente, voltada à educação ambiental, à arborização, à sustentabilidade e à valorização da biodiversidade.
Santana está na Amazônia e possui um potencial exuberante para transformar seus recursos naturais em conhecimento, qualidade de vida e novas oportunidades. Esse espaço poderá contribuir para aproximar a população dessa riqueza e estimular iniciativas que beneficiem o município.
Agradeço de coração às mais de 6 mil pessoas que apoiaram a causa ao longo dessa caminhada. É por esse motivo que colocamos as faixas: queremos que todos saibam que conseguimos porque a comunidade apoiou”, concluiu, emocionada, a educadora.
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