De Santana às urnas: Alunos debatem História e Cidadania de olho nas Eleições 2026

Por algumas horas, as ruas de Santana substituíram o quadro e os livros. Para os alunos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Almirante Barroso, a cidade tornou-se uma grande sala de aula. 

Em uma aula de campo que reuniu História, cultura, religião e cidadania, os estudantes percorreram lugares que ajudam a compreender a trajetória do município: o antigo local do primeiro cinema, o primeiro posto de saúde, o Circo Mané de Banda, o Independente Esporte Clube, o Carcará, a Praça Cívica, o Templo Central, a Igreja Católica Matriz e a Câmara de Vereadores. 

Cada parada trouxe uma possibilidade diferente de aprender. Mas foi na Câmara que o conteúdo estudado em sala encontrou uma questão diretamente ligada ao presente e ao futuro desses jovens. 

Da teoria à cidadania 
Na Câmara de Vereadores, os estudantes compreenderam, de forma concreta, a teoria da separação dos poderes e as funções do Executivo, Legislativo e Judiciário, refletindo sobre a importância do equilíbrio entre eles para o funcionamento do Estado democrático. 

O conteúdo, até então aprendido nos livros, ganhou sentido diante do espaço onde a política acontece. 

A conversa mostrou aos alunos que as decisões tomadas pelas instituições públicas interferem diretamente na vida da população e que participar da democracia exige mais do que conhecer conceitos: exige informação, responsabilidade e consciência. 

A discussão avançou para as Eleições de 2026, colocando esses jovens diante de uma escolha que se aproxima. Afinal, votar não é simplesmente apertar botões. É decidir quem irá representar a sociedade e assumir responsabilidades em seu nome. 

A pergunta, então, tornou-se inevitável: O que significa escolher alguém para nos representar? 

Para uma turma que está concluindo o Ensino Médio, a resposta passa pela capacidade de pesquisar, questionar, compreender o papel de cada cargo e fazer escolhas conscientes.

Mais do que uma aula de política, aquele momento foi uma aula de cidadania. 

Uma cidade que guarda memórias 
Depois da Câmara, a cidade continuou contando sua história. 

No antigo cinema, os estudantes conheceram parte da memória cultural de Santana e refletiram sobre os espaços que, em outros tempos, reuniam a comunidade. 

Onde antes era um posto de saúde, conheceram a história dos pioneiros da saúde e o processo de apagamento histórico que remonta ao período do Território Federal do Amapá. 

No espaço onde ficava localizado o Circo Mané de Banda, perceberam como a cultura, a arte e os espaços de convivência também fazem parte da formação de uma sociedade — e como, quando esses espaços desaparecem, outros problemas sociais podem ocupar esse lugar.

No Carcará, resgataram a importância do esporte e do Independente Esporte Clube como espaço de sociabilidade entre as décadas de 1960 e 1990, quando o clube também fazia parte da vida social da cidade. 

Na Praça Cívica, observaram elementos da arquitetura colonial e refletiram sobre marcas do passado presentes na paisagem urbana. 

A caminhada também levou os estudantes a diferentes momentos da história religiosa. 

No Templo Central, a reforma protestante 
No Templo Central, retomaram os conhecimentos sobre a Reforma Protestante, movimento iniciado no século XVI que provocou profundas transformações religiosas e sociais e marcou a história do cristianismo. 

Na Igreja Matriz, a contrarreforma 
Na Igreja Católica Matriz, os alunos relembraram a chegada e a expansão do catolicismo no continente americano e compreenderam o contexto da Contrarreforma. 

Para alguns, porém, a visita ultrapassou o conteúdo estudado. Tornou-se também uma descoberta pessoal. 

O aluno Lucianno Silva traduziu esse sentimento: 

“Entre a diversidade cultural e histórica que Santana apresenta, o que mais me chamou a atenção foi a história da Igreja Católica e a sua a sua arquitetura, que eu ainda não tinha visitado até aquele momento. Experiência única estar em um lugar como esse pela primeira vez. Gostei muito e espero voltar em uma próxima visita!” 

Uma experiência no momento certo 
No fim do percurso, ficou a sensação de que aquela não havia sido apenas uma saída da escola, mas uma maneira diferente de olhar para a própria cidade. 

Para jovens que vivem o último ano da Educação Básica, conhecer as memórias do lugar onde vivem e compreender o funcionamento das instituições democráticas significa também se preparar para os caminhos que vêm pela frente. 

Educar é mais do que transmitir conhecimento. É formar pessoas capazes de compreender, questionar, escolher e participar. 

E Santana, naquele dia, ensinou justamente isso. 

A História estava nos lugares visitados, nas memórias preservadas, nas instituições e nas diferentes formas de viver a cidade. Mas também estava nas perguntas feitas pelos estudantes e nas escolhas que eles, como cidadãos, começarão a fazer. 

Para a Escola Estadual Almirante Barroso, a experiência deixou uma lição que vai além da sala de aula: conhecer o passado, compreender o presente e participar da construção do futuro também é aprender.


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