Caso Jenife: Justiça na Bolívia condena adolescente por feminicídio de brasileira

O adolescente de 16 anos acusado de assassinar Jenife Silva, santanense de 37 anos, foi condenado após 1 ano e 3 meses do crime a 6 anos de internação, nesta quinta-feira (23). O caso aconteceu em Santa Cruz De La Sierra, na Bolívia, em abril de 2025. 

A medida socioeducativa, que é a pena máxima prevista para menores de idade na Bolívia, será cumprida no Centro de Reintegração Social Fortaleza. O período em que o jovem permaneceu preso preventivamente será descontado do tempo total da pena. 

A decisão proferida pela Justiça boliviana estabelece acompanhamento por mecanismos de Justiça Restaurativa. Além disso, a direção do centro de internação deverá enviar à Justiça relatórios trimestrais sobre o desenvolvimento do plano individual do adolescente. 

A defesa do acusado tem o prazo de dez dias para recorrer da decisão. 

Comoção e mobilização no Amapá 
A morte da jovem gerou forte comoção e deu origem ao movimento #JustiçaPorJenife, que organizou atos de manifestação no Amapá e repercutiu em âmbito nacional. 

A mobilização reuniu familiares, amigos, entidades de proteção à mulher e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amapá (OAB-AP). 

O movimento cobrava maior segurança para estudantes brasileiros no exterior e o acompanhamento de autoridades brasileiras nas investigações conduzidas pelas autoridades bolivianas. 

Articulação internacional e provas 
A cobrança por justiça levou o caso ao Congresso Nacional, à Procuradoria da Mulher e à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em Brasília, representantes da família e amigos se reuniram no Ministério das Relações Exteriores, com o apoio de lideranças políticas do Amapá. 

Após as articulações e pressões diplomáticas, peritos conseguiram extrair dados do celular do acusado, o que permitiu ao Ministério Público formalizar a denúncia. A sentença foi proferida no dia 17 de julho de 2026 e lida oficialmente em 20 de julho, data em que se celebra o Dia do Amigo. 

'Pena máxima', diz amiga da família 
Francimone Almeida de Souza, amiga da família que acompanhou as investigações e o processo desde o início, destacou a relevância do desfecho judicial. 

"Conseguimos o nosso objetivo, porque 6 anos é a pena máxima para um menor na Bolívia. A leitura da sentença mexeu muito com todos por ter sido no Dia do Amigo. A condenação ocorreu em virtude do material localizado no próprio celular do menor. O que ficou comprovado [na sentença] é a autoria dele", afirmou Francimone. 

Relembre o caso 
A brasileira natural de Santana (AP), foi encontrada morta em seu apartamento no dia 2 de abril na Zona Norte de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Segundo o que foi passado pela polícia boliviana, Jenife morreu por asfixia mecânica. 

De acordo com as autoridades bolivianas, a mulher foi vítima de um feminicídio praticado por um adolescente de 16 anos. O caso foi investigado pelo Ministério Público da Bolívia. 

Uma amiga da vítima esclareceu que Jenife tinha terminado o curso de medicina em Santa Cruz, onde residiu por 6 anos, e já estava morando novamente no Amapá. A vítima retornou à Bolívia para buscar o diploma do curso. 

Segundo o relatório preliminar da polícia boliviana, o adolescente se apresentou na delegacia e alegou ter uma relação próxima da vítima. 

A família da brasileira divulgou que durante as investigações foram encontradas provas no celular do adolescente. Em um dos arquivos encontrados mostram que o menor de idade pegou o braço da vítima sem vida e colocou sobre seu peito. 

Em outubro de 2025, por decisão da juíza Leda Mirna Ojopi Ribero o suspeito foi solto. A família informou que a justiça entendeu que o adolescente poderia aguardar o julgamento em liberdade. A jovem deixou um casal de filhos.

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