Inclusão e acessibilidade no pré-natal de gestante surda são garantidos em Santana

O Governo do Amapá acompanhou, na quarta-feira, 17, mais uma etapa do atendimento pré-natal da gestante Marcicleide do Nascimento, de 30 anos, na Policlínica Maria Tadeu Amaral, em Santana. 

O suporte foi realizado por meio da Central de Tradutores e Intérpretes de Libras na Saúde (Cilsaúde), que assiste a grávida desde janeiro deste ano, garantindo que ela receba todas as orientações médicas com clareza e dignidade. 

Marcicleide está na 37ª semana de gestação, portanto, entrando no nono mês, à espera do pequeno Ayron. 

Com o apoio do companheiro, Ocimar Amaral, de 48 anos, que também é surdo, ela contou que descobriu o serviço por meio de uma associação de Libras, após enfrentar barreiras de comunicação dentro da própria família. 

“Na minha família, não tínhamos muita comunicação por eu ser a única surda. Foi quando um amigo da associação me falou sobre a Cilsaúde. Entrei em contato pedindo apoio e logo me responderam com um vídeo explicativo. O serviço me ajudou desde o início, auxiliando na tradução com muita calma. Quando descobri a gravidez, já estava com quase quatro meses. Fomos ao hospital e a intérprete intermediou o diálogo com a médica, que me encaminhou para exames e tratamento odontológico. Foi muito bom e gratificante; fiquei muito feliz por ter esse auxílio pela primeira vez”, relatou a gestante. 

Na Policlínica, a futura mãe teve acesso a uma cobertura integral de saúde, incluindo atendimentos de enfermagem, clínico geral, odontologia, nutrição, além de exames e vacinas. 

O acolhimento humanizado na segunda gestação trouxe um alento que Marcicleide não teve no passado. 

“Eu não tive intérprete quando fui mãe pela primeira vez. Tudo era muito difícil, faltava comunicação e eu queria entender o que estava acontecendo. Agora, na minha segunda gestação com o apoio da Cilsaúde, sinto que todas as informações estão sendo passadas de verdade”, comentou. 

A presença da Cilsaúde transforma não apenas a experiência do paciente, mas também a rotina das equipes médicas. 

Para a técnica em enfermagem Shirle Sampaio, que atua na sala de vacinação da unidade, a integração facilita o diagnóstico e o cuidado seguro. 

“A Cilsaúde trouxe um atendimento diferenciado e humanizado. Esse suporte nos ajuda a compreender as necessidades reais de quem não pode ouvir ou falar. O serviço veio para facilitar a nossa rotina técnica e, principalmente, dar segurança ao próprio paciente”, destacou a profissional. 

A intérprete de Libras da Cilsaúde, Tamila Lima, reforça o compromisso da gestão estadual em construir um sistema de saúde mais justo, inclusivo e acessível para a comunidade surda do Amapá. 

“A Cilsaúde é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) que atua diretamente na mediação entre os profissionais e os pacientes surdos. Para acionar o serviço, basta que o próprio cidadão ou um familiar marque a consulta ou exame na rede pública e entre em contato conosco. Nós fazemos o acompanhamento presencial focado na total acessibilidade e humanização”, explicou Tamila.

Coordenada pela Sesa, a Central funciona 24 horas por dia e pode ser acionada sempre que houver necessidade de mediação. 

Para solicitar o serviço, a população pode entrar em contato pelo WhatsApp (96) 99124-6517, pelo e-mail cilsaude@saude.ap.gov.br ou comparecer presencialmente à Secretaria de Estado da Saúde, das 8h às 18h, localizada na Avenida Anhanguera, nº 265, no bairro Beirol, em Macapá.

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