Das salas de aula à cozinha: alunos de escola do AP desenvolvem projeto gastronômico

O Projeto Cozinha Amazônica, em sua quinta edição, apresentou, mais uma vez, atividades escolares de forma educativa e sensorial, proporcionando uma valiosa oportunidade de sensibilizar o olhar e o paladar dos alunos para a cultura nortista, com destaque para o Estado do Amapá. 

Os alunos da Escola Estadual Professor José Barroso Tostes, localizada no Centro de Santana, puderam degustar sabores ancestrais, perceber a biodiversidade que os cerca e compreender a importância da sustentabilidade, ao preparar receitas em suas mais variadas formas, misturas, aromas e sabores. 

Todas as atividades fizeram parte de um minucioso trabalho de planejamento, pesquisa, divisão de tarefas e escolha dos chefs e suas respectivas equipes. 

Nada passou despercebido: os alunos se organizaram, pesquisaram a origem dos alimentos, levantaram preços e até adquiriram produtos frescos em uma feira local. 

“Comida de verdade”, diziam entusiasmados ao reconhecer toda a cadeia econômica gerada pela atividade e compreender que quem plantou, colheu e consumiu foi beneficiado de alguma forma no processo, por meio de produtos agroecológicos que, segundo os alunos, “são os mais saudáveis e sustentáveis para o meio ambiente”. 

Ao cozinharem juntos, os alunos desenvolveram trabalho em equipe, criatividade e consciência alimentar. 

A aluna Maria Manuella, de 17 anos, participou de duas edições do projeto e relatou sua experiência: 

“Com essa atividade, vemos como realmente devemos dar mais valor à nossa cultura. Cada edição tem sido uma experiência muito boa, na qual aprendemos a enxergar com outros olhos as belezas e os sabores da nossa culinária”, disse a estudante.


Os alunos revisitaram sabores ancestrais em atividades práticas, desenvolvendo habilidades culinárias, ampliando o repertório cultural e reforçando o respeito aos saberes tradicionais. 

Além disso, a experiência sensorial ao provar novos sabores tornou o aprendizado mais dinâmico e significativo. 

A coordenadora do projeto, Elissandra Lopes, professora do componente curricular História, falou ao blog: 

“Explorar as especiarias amazônicas e suas histórias tem sido fascinante. Reflete a memória afetiva de um povo, contada à mesa de forma muito familiar e comunitária. Os atos de preparar, degustar e compartilhar alimentos com os colegas na escola têm muito a nos ensinar sobre o direito vital à alimentação, ao mesmo tempo que podemos valorizar a agricultura familiar. Em um mundo onde, segundo a Organização das Nações Unidas, uma em cada 11 pessoas ainda passa fome, tudo está interligado. No entanto, a lógica capitalista de produção e comercialização dos alimentos ofusca nossa percepção humanitária”, completou. 

A iniciativa permitiu que os estudantes se conectassem com a cultura regional, experimentassem novos sabores e compreendessem a importância da preservação da floresta e de seus recursos.






*Crédito das imagens: Nilson Figueiredo

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