Uma correria eufórica de dezenas de jovens – nas idades de 18 a 24-25 anos – são diariamente vistos em pontos de ônibus da capital amapaense, quando se trata de retornas aos seus lares.
Essa pressa é na verdade para não perderem o ônibus da linha intermunicipal Macapá-Santana que, muitas vezes, não cumprem o horário correto: ou adianta a viagem ou atrasa no tempo, o que deixa esses acadêmicos bastante tensos.
Grande parte desses estudantes (pouco mais de 70%, segundo dados) estão matriculados no horário noturno, quando as aulas ocorrem no período das 19h10 às 22h30. Um horário eminente para situações favoráveis à criminalidade, na qual os próprios estudantes concordam.
“Nunca fui assaltado, mas escapei de duas tentativas. Um amigo já ficou sem a mochila (contendo notebook e material acadêmico) e foi difícil até dele chamar a polícia naquele momento”, explicou o estudante Maciel Ferreira, de 19 anos.
Ferreira é um entre tantos jovens matriculados em uma das instituições de ensino superior (particular) localizada na Rodovia Duca Serra, numa região apenas movimentada por veículos após as 18h.
Morador da cidade de Santana, segunda maior do Amapá, a luta começa ainda no deslocamento de sua casa (que fica no bairro Paraíso), onde aguarda até 40 minutos para pegar um coletivo intermunicipal, para assim chegar à faculdade.
Com ele, outros que buscam alcançar seus objetivos através de uma formação acadêmica. A jovem Eliana Barros, de 20 anos, também reside em Santana e está no quarto semestre do Curso de Administração, onde precisa frequentar a faculdade pelo menos quatro vezes na semana.
Ela relata que o maior desafio está nos dois últimos horários de aula. “Tem professor que adianta suas aulas e saímos cedo, mas quando ficamos até o último horário, vai até 22h ou 22h30. Um horário mais arriscado quando vamos para o ponto de ônibus, mas sei que tudo isso vai ser compensador para o meu futuro”, crê a estudante.
Não existe um número oficial de acadêmicos que possuem condução própria (veículos), mas estima-se que quase 80% desses estudantes são usuários do transporte público para as faculdades localizadas em Macapá.
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