Vítimas de desmoronamento de 2013 no porto de Santana são homenageadas

Foi realizada, na manhã deste domingo (10), uma homenagem aos seis trabalhadores do Porto de Santana. 

Familiares e amigos estiveram presentes na sede administrativa da empresa para acompanharem o momento especial. 

A tragédia aconteceu em março de 2013, após um desabamento. À época, a estrutura estava sob a responsabilidade de outra mineradora, ainda não pertencia à DEV Mineração. 

“Nós temos o propósito de transformar para melhor a vida das pessoas por meio do minério de ferro. E isso inclui os valores do respeito à história e à memória das comunidades onde atuamos”, disse a diretora da DEV Mineração, Raquel Dalseco.

“Estamos em fase de estudos para recuperar toda a estrutura do porto e fazê-lo funcionar novamente. Antes disso, é preciso compreender tudo que essas famílias sofreram e enfrentaram nesses momentos difíceis, mas, seguem firmes e vão vencendo cada etapa da vida. Por isso, essa homenagem tem um significado muito especial”, completou. 

O evento contou com a presença ainda de representantes religiosos, sendo o Diácono Sandro que esteve em nome da comunidade católica santanense, e o pastor Aroldo Vasconcellos como membro da comunidade protestante da cidade, onde ambos os líderes puderam expressar com passividade uma palavra de fé e esperança aos participantes.

“Sempre ficará na memória do povo amapaense aquele dia trágico, mas que hoje procuramos lembrar de forma positiva de que dias melhores virão”, disse o pastor Aroldo Vasconcellos. 

Além das palavras feitas por cada membro convidado durante a ocasião, um dos momentos mais emotivos foi a ida até o local da tragédia – em frente ao Rio Amazonas – onde lágrimas não puderam ser controladas pelos entes presentes. 

Juntamente com flores representativas, seis balões dourados foram soltos ao ar, onde cada balão simbolizava um dos trabalhadores vitimados peo desmoronamento. 

Para que o desastre nunca seja esquecido pelas futuras gerações, onde seis vidas foram covardemente ceifadas durante o processo de embarque de minérios, uma placa contendo o nome dos seis operários mortos também foi inaugurada pela mineradora DEV. 

O sinistro 
O desmoronamento de toda área geofísica do porto de embarque de minérios de Santana aconteceu na madrugada do dia 28 de março de 2013, quando na época o sistema de exploração competia à Anglo Ferrous Brazil.

Na ocasião do desmoronamento, caçambas, tratores e uma extensa área de quase 8 mil metros quadrados foram para o fundo do Rio Amazonas, além de seis operários (três da mineradora e três de terceirizados) que estavam executando trabalhos no local. 

Os trabalhos de resgate iniciaram ainda no dia seguinte, onde quatro corpos puderam ser localizados e dois nunca tiveram seus paradeiros identificados, mas foram oficialmente declarados mortos dias após o sinistro. 

Na época, várias perícias foram feitas na região afetada, tanto pelos peritos do poder público como por profissionais contratados pela mineradora Anglo Ferrous, que constataram que o excesso de peso teria sido a principal causa do fato (quantidade excessiva de minério abarrotado somente em um espaço físico, sem que houvesse qualquer conhecimento seguro do solo, comprometeu seu uso, vindo a ceder a região física). 

Uma batalha judicial se prolongou por anos nos tribunais do Amapá e de São Paulo, onde a concessora da área afetada buscou recorrer de inúmeras responsabilidades que lhe cabiam, sendo que algumas famílias das vítimas conseguiram entrar em um acordo na justiça sobre suas indenizações.

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