Pelo segundo ano seguido, o amapaense Kaique Nery, de 17 anos, conquistou nota 980 na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Estudante da rede pública, ele se diz confiante de que o desempenho na edição de 2021 possa garantir a vaga no sonhado curso de medicina na Universidade Federal do Amapá (Unifap).
Em entrevista ao G-1 Amapá, o aluno falou sobre como foi estudar na pandemia de Covid-19, sobre como aprendeu a gostar sobre redação no ensino médio e deu dicas para quem vai encarar o mesmo exame.
Essa história é de Santana, o segundo maior município amapaense e que integra a Região Metropolitana de Macapá.
Kaique estudou da rede particular no ensino básico e fundamental, mas foi no ensino médio, na escola Prof. Barroso Tostes, e em meio à pandemia de Covid-19 que ele se dedicou para valer à redação. A unidade de ensino também é referência no estado de bom desempenho no Enem.
“Nunca fui muito fã de redação e português. Eu sempre falei isso na escola. Com a pandemia, veio a dificuldade, decidi entrar em cursinho e me dedicar. Pegando as dicas dos professores, fui me organizando e, com o tempo, fui gostando de redação”, lembra.
Em 2020, o adolescente fez o Enem como treineiro e garantiu 980 na redação. Na edição do ano passado, ele repetiu a dose, como concluinte do ensino médio.
Kaique acredita que a pandemia potencializou os estudos e que conseguiu se sair bem a partir dos ensinamentos dos professores Josivane Lima e Josué Pereira.
“Logo quando chegou a pandemia, veio aquela incerteza sobre o futuro. Fiquei meio longe dos estudos porque me senti perdido. Depois pensei melhor, e achei que deveria me preparar mesmo assim. Foi aí que eu procurei cursinho, porque era estudar ou estudar. A gente não sabia o que viria. Eu tinha um ano e meio para o Enem valendo. Claro que teve coisas ruins, mas a pandemia abriu meus olhos para que eu pudesse observar que era hora de me preparar de verdade”, ressaltou.
Filho de laboratorista e professora de língua portuguesa, Kaique conta que se cobra demais e que por isso é dedicado. E o apoio da família é fundamental para não se sentir só na jornada de estudos.
“O Kaique sempre gostou de estudar, é muito disciplinado e sempre demonstrou compromisso e responsabilidade com as atividades escolares. Ficamos lisonjeados com a nota que ele conquistou. Isso mostra o quão é importante nós, pais, apoiarmos nossos filhos em toda a trajetória escolar. A nota do Kaique demonstrou que a determinação, a disciplina e a organização fazem com que o aluno consiga realizar os objetivos que ele tanto almeja”, disse a mãe Maria Elizabete Farias, de 50 anos.
Nessa trajetória, o adolescente decidiu ficar alguns meses longe das redes sociais porque, para ele, se tornaram uma distração. Por isso, Kaique pontua que a dica principal é ter um foco claro e alcançável.
“Não é o mais importante estudar o dia inteiro, mas é estudar todos os dias com efetividade e com foco. É difícil, principalmente com as redes sociais que nos causam muitos estímulos, mas isso é um prazer vazio. As pessoas deveriam focar em se desenvolver, porque é isso que traz satisfação duradoura. Por mais que seja difícil estudar todos os dias, vale a pena. Pode não ser agora, mas esse resultado virá com certeza”, falou Kaique.
O fruto da dedicação ele soube na quarta-feira (9) e, confiante, aguardou quase uma semana para se candidatar para medicina na Unifap via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) na terça-feira (15).
Aos 17 anos, Kaique colhe o resultado de ser disciplinado com os estudos. Se passar e cursar a graduação, o estudante pode ser o primeiro médico da família.
“Sempre tenha um propósito na vida, para poder progredir. O progresso não é o resultado final, é o passo que você dá a cada dia. O mais importante é dar o primeiro passo, nem que seja todo dia, dê seu máximo”, comentou.
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