Construída há mais de 30 anos, Feira da Nova Brasília perdeu seu valor público

Feira do bairro Nova Brasília está abandonada
Lixo, furtos, assaltos, consumo de drogas, falta de iluminação nas redondezas, buracos entorno das barracas, além de um extenso matagal que se prolonga entre o Terminal Rodoviário de Santana com a rua que lhe dá acesso para os coletivos intermunicipais.

Estes são apenas alguns dos problemas enfrentados pelos poucos trabalhadores informais, comerciantes e clientes que ainda frequentam e movimentam parte de uma feira que já foi referência no comércio agrícola e animal do município de Santana. 

Inaugurada em 1986, a antiga Feira do bairro Nova Brasília – localizada atrás do único Terminal Rodoviário da cidade – já viveu seu auge entre o final da década de 1980 até os primeiros anos desse século XXI.

“Era lindo ver essa feira lotada nos dias de sábado, ainda mais quando vinha o pessoal que hoje ‘tá’ na feira do Agricultor lá da Avenida Santana”, conta o aposentado Elias Correia, que reside nas proximidades. 

Segundo Elias, a sua construção atendeu uma reivindicação de feirantes que moravam distantes da orla da cidade, que procuravam expandir suas vendas de forma mais independente. 

“Alguns feirantes tinham que andar lá para frente da cidade para vender seus produtos (farinha, peixe, mandioca), mas pediram para o prefeito de Macapá (na época era administrada por Raimundo Azevedo Costa) que acabou construindo os 04 primeiros boxes para esses feirantes”, continuou. 

Atual situação
Passado anos, a feira somente teve sua 1ª reforma em 2001, com a construção de novos boxes comerciais e uma sala para a administração da feira. Desde então, de acordo com os feirantes mais antigos do local, esta teria sido a única reforma feita na área. 

“Aparece muito político (principalmente em período eleitoral) prometendo ajeitar a feira, mas depois somem e o lugar continua somente piorando”, relatou a vendedora Luiza Magalhães, que comercializa produtos hortigranjeiros no local há mais de uma década. 

A vendedora conta já ter chamado a imprensa várias vezes para denunciar a triste situação do local, cobrando por melhorias físicas e sanitárias, que não apenas possam garantir comodidade para eles (os comerciantes), mas também para o público consumidor. 

“Chega a ser vergonhoso para as pessoas verem que existe uma feira atrás do terminal de ônibus da cidade e que está nesse estado de abandono”, comentou a vendedora. 

Resíduos sólidos domésticos, carcaça de eletrodomésticos, garrafas, sacolas e até telhas são deixadas no espaço que fica perto dos boxes e na lateral do muro do terminal de ônibus. 

“Uma tremenda lixeira incalculável, que só aumenta de tamanho a cada dia”, disse a vendedora. 

Cobranças
Além da falta de segurança, sujeira, desordem do espaço físico, falta de limpeza e de higienização, os trabalhadores do local também carregam outro problema que transcorre na parte da noite: o consumo de drogas. 

Moradores da feira relatam que já cansaram de chamar pela polícia, reclamando dos constantes encontros de pessoas no local (no período da noite), com o intuito de traficarem e consumirem produtos entorpecentes. 

“Como a feira não tem iluminação a noite, o local fica cheio de adolescentes depois da meia-noite, só ouvimos os gritos e discussões que acontecem no local”, relata uma moradora, que quis ceder seu nome, que ainda fez o seguinte desabafo: “Se continuar do jeito que está, podemos ser mortos a qualquer momento”. 

A mesma moradora ainda informou que dois vereadores estiveram recentemente visitando o local, prometendo melhorias para a área, mas até agora, nada mudou. 

“Eles (os vereadores) vêm aqui e contam um monte de mentiras e promessas, depois somem sem dar retorno”, falou. 

O blog entrou em contato com o Batalhão da Polícia Militar de Santana, que informou fazer rondas diárias nas imediações da feira e que denúncias podem ser encaminhadas através do número 190 (Plantão da PM). 

Já na Secretaria Municipal de Limpeza Pública e Resíduos Sólidos de Santana (Semilp), ninguém se manifestou para comentar o assunto.

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