“Apenas 25% dos crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes são denunciados em Santana”, aponta Juíza

Juíza Larissa Noronha, da Comarca de Santana
Em entrevista para o programa radiofônico Justiça em Casa, levado ao ar todas as quintas-feiras das 15 às 16 horas pela Rádio Universitária 96.9 FM, a juíza Titular da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Santana, Larissa Noronha Antunes, fez um relato das ações voltadas às causas infantojuvenil, especialmente em Santana. 

“O abuso sexual contra crianças e adolescentes existe desde sempre. Acreditamos que aumentaram as denúncias, mas, sabemos que essas denúncias são meramente a ponta do iceberg, elas representam apenas um quarto dos crimes que realmente ocorrem. É preciso fortalecermos a rede de instituições composta por delegacias de polícia, escolas, Ministério Público, Judiciário e a sociedade para termos um aumento dessas denúncias. Precisamos usar mais o Disque 100 e sair dessa cultura do silêncio”, argumentou. 

Durante a entrevista, a magistrada também falou sobre os casos de adoção em Santana. Segundo ela, o intenso trabalho da Vara da Infância e Juventude tem conseguido acelerar a inclusão de crianças e adolescentes, vítimas de abandono e violência, em novas famílias.

Juíza participa de programa de rádio semanal
Isso se deve em especial às audiências concentradas ocorridas nas instituições de acolhimento, como a Casa Marcelo Cândia e a Casa da Hospitalidade. 

“A gente sente no cotidiano do Fórum que famílias buscam mais o Judiciário depois das campanhas de divulgação. Vão atrás de informações, buscam se cadastrar e é por isso que a gente acredita no trabalho educativo, informativo. É preciso desfazer essa ideia de que na Justiça os procedimentos são burocráticos. O Fórum está de portas abertas para quem quiser e precisar”, destacou. 

A juíza faz alguns alertas àquelas pessoas que aceitam o acolhimento de crianças vindas de famílias que alegam falta de condições financeiras, mas não se preocupam em legalizar a situação perante a Justiça. 

“Lamentavelmente isso acontece muito aqui no estado, ou seja, a pessoa não está em condições de criar a criança, entrega para uma família e mais tarde, três, quatro anos depois, já em condições, ela quer a criança de volta. Como a família não se preocupou em formalizar a adoção, enfrenta uma guerra judicial e com isso todo mundo sofre, inclusive a criança. Então, se a pessoa identificou o desejo de ter aquela criança como filho, deve procurar o Fórum, o Juizado da Infância ou mesmo a Defensoria Pública para formalizar essa situação”, explicou. 

Pólo do Comissariado da Infância e Juventude
A área portuária de Santana tem como finalidade atender a movimentação de mercadorias e pessoas que entram e saem do estado por via fluvial. E sua posição geográfica acabou favorecendo uma das principais rotas marítimas da navegação mundial, permitindo, portanto a conexão com portos de outros continentes. 

Mas, o aumento considerável no fluxo de embarcações na área portuária vem sendo visto pelas autoridades com uma grande preocupação. 

Para a juíza Larissa Noronha, é mais um motivo para que haja aumento na fiscalização em todo o setor ancoradouro de Santana, sobretudo acerca de práticas abusivas e criminosas contra crianças e adolescentes. 

“Essa vigilância tem que ser redobrada e por todas as autoridades que estiverem na área. Os donos das embarcações, os órgãos fiscalizadores, os comerciantes, enfim a responsabilidade tem que ser de todos para evitar que crimes contra menores cresça em nosso estado. Nós, da Vara da Infância e Juventude, temos um projeto pronto para implantar: o Pólo do Comissariado da Infância e Juventude na área portuária. Por enquanto ainda estamos no campo das tratativas com a rede de atendimento”, finalizou a juíza.

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